sábado, 8 de dezembro de 2012

Não acredito! Ele disse SIM!

(o conto do Arrakis)

Dobrou a folha ao meio, a gramagem de boa qualidade, que guardava a singela pergunta, escrita com a Montblanc recebida vinte anos antes. Encostou-a ao solitário de cristal que tinha o botão de rosa vermelha. Ajeitou o copo uns milímetros para a direita e passou os dedos pela argola de prata que segurava o guardanapo. Um sorriso de satisfação desenhou-se nos lábios. Sim, a mesa estava perfeita.

Fechou a porta da sala e esperou, como se fosse um dia igual aos outros, no escritório. Arquivou uns papéis que se acumulavam na secretária, devolveu os livros que sobreviviam na torre periclitante, no parapeito da janela, à estante, deambulou de um lado para o outro, nervoso. 


Por fim, sentou-se no velho cadeirão e olhou para a janela. Notou a poalha que bailava na luz avermelhada do pôr-do-sol, uma dança suave entre os cortinados entreabertos, e viu-o surgir ao longe, a sua silhueta inconfundível no meio da multidão apressada. Viu-o tirar a chave do bolso da gabardina e entrar no prédio. Contou mentalmente os degraus que tinha que subir até alcançar o patamar certo, vinte e oito. Ouviu a chave na fechadura e a porta da entrada fechar delicadamente, como ele sempre fazia.


Nem se tinha apercebido que tinha sustido a respiração quando ele abriu a porta do escritório, com a folha e a rosa entre os dedos esguios, bonitos. Soltou profundamente o ar dos pulmões enquanto era abraçado, e ouviu a sua gargalhada, feliz.


Sim, ele aceitou.

15 comentários:

  1. muito bonito, Margarida. com esta série de contos, tu estás a revelar-te uma verdadeira escritora. claro que de uns mais do que de outros, mas tenho gostado de todos, o nível de qualidade da escrita é sempre superior.

    (ontem foste ao Zambujo? que tal?)

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  2. obrigada :)

    eh, sem palavras! infelizmente, a minha amiga comprou lugares nao muito bons. pensava que ficavam frente a ele, mas ficámos de viés, assim só lhe vi as costas, o perfl, um bocado do sorriso, mas foi tão lindo! depois faço um post.

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  3. agora já fiquei indeciso no meu "voto"... entre este e o da Rosa! :D

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  4. por isso é que não posso alterar nada. estão perfeitos assim.

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  5. Opá Margarida, o meu conto é lindo! A-D-O-R-E-I cada pormenor!!!
    Tens mesmo jeito para isto, estás a revelar-te uma verdadeira escritora =)
    Que prenda de Natal maravilhosa. Obrigado :)
    Bjs.

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  6. :) ainda bem que gostaste, A. com esse título, só podia ser isso.
    e agora vou apanhar sol, que finalmente deu ar de sua graça. bom fim-de-semana.
    bjs.

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  7. Puxa vida, tenho que concordar com o João Máximo...
    E agora?

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  8. e agora... não sei. não é nenhum concurso :D
    gosto de todos, eheh, mas continuo a preferir o teu (nunca tive um cão com esse nome, embora o que viveu connosco 18 anos adorasse pão-de-ló, bolacha maria e maçã).

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  9. O A. merecia este conto maravilhoso. Ele que tb é uma pessoa adorável :)
    Estão os dois de parabéns.
    abc e bjs

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  10. É verdadeiramente muito bom.
    Tem pormenores descritivos de grande nível e adequa-se muito bem ao Arrakis.
    Mas isto não é um concurso, suponho. E ainda bem pois seria muito difícil votar...
    A votação do outro é que deve estar quase a começar.

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  11. claro q não é um concurso, João. é o meu presente para vocês.
    a votação do outro começa amanhã mal eu coloque o post, mas o sad eyes concorreu agora mesmo.

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  12. Este será um dos meus preferidos! Gostei particularmente, talvez pelo tom romântico.

    Uma dúvida, querida: a votação do concurso das lombadas de livros começa amanhã? Eu pensava que ainda decorria o prazo para a entrega! :( Oh, que pena! Não tive ainda tempo de me dedicar a isso.

    bjo.

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  13. obrigada, Mark. sim, tb gosto mt deste.
    pois, o desafio terminou há vinte e três minutos (sei q tens estado ocupadíssimo com as aulas, por isso é q não insisti).
    bjs.

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  14. Eu é que negligenciei o prazo. Esqueci-me...

    Não faz mal! Haverá outras oportunidades. :)

    bjo.

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