terça-feira, 26 de novembro de 2013

O conto do Mark

   A tartaruga e o gato Sapeca pelo mundo

   - Está na hora! – ele exclamou, empolgado. - Para onde vamos, sabes? Sim, tu sabes tudo, estás aqui há tantos anos. – os olhinhos azuis muito brilhantes fitaram-na, curioso.
   - Meu Sapeca lindo… – ela suspirou, inclinando a cabeça para um lado. Sorriu ternamente e semicerrou as pálpebras engelhadas.
    - Diz-me, tu sabes. Diz, diz! – com a agilidade que os seus sete meses demonstravam, pulava de um lado para o outro. Sem querer, deu-lhe uma marradinha que a fez encolher o pescoço. - Desculpa…
   - Sapeca, que nome tão adequado tens, menino – murmurou a paciente tartaruga. A sua cabeça verde, de riscas vermelhas nos cantos dos olhos, brilhava. – Se te disser agora, perde a graça. Tens que descobrir por ti próprio. Tem paciência, que já não vou para nova. Vamos, acompanha-me. Estamos quase a chegar, não é verdade?
   - Sim, sim, já lá está. Vês? Anda, senão perdemos o início.
   Aproximaram-se do petiz que estava sentado debaixo de um castanheiro. Nos joelhos flectidos, apoiava um livro de páginas amareladas que ela tão bem conhecia. Lia alto, concentrado.
   A velha tartaruga sorriu. Muitos anos antes escutara uma criança com semelhante voz cristalina e, como ela, tinha o mesmo cabelo ruivo.
   Com as pequeninas orelhas espetadas, Sapeca sentou-se à sua frente. Agora, eram dois companheiros inseparáveis.
   De pé na proa da caravela miraram, intrépidos, o imenso lençol azul acinzentado. Não sabiam onde o oceano acabava e o céu começava. Era o início de mais uma aventura.

16 comentários:

  1. Sem dúvida, o meu preferido até agora.
    Perfeito. Tudo perfeito. Até para quem é.

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    1. concordo em absoluto. sim, é belo, belo e inocente.

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  2. Que raio de título o Mark foi arranjar...
    Não lhe conheço animais de estimação, só se se estava a referir a ti.
    O conto para ti deve ter sido fácil de "montar" pois estás dentro do assunto e por isso ele flui muito bem.
    No entanto, e tirando uma pincelada aqui ou ali, não reconheço o Mark neste conto.

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    1. quanto ao título, só o Mark te pode responder. quanto a animais de estimação, só podes estar distraído, ele tem uma tartaruga há 17 anos e adora os meus gatos. apaixonou-se pela Elvira. só não pode ter um por causa da asma.
      e não, não foi nada fácil de 'montar'. custou-me muito, por ser uma história infantil e não ser o meu universo de escrita.
      eu reconheço e muito, por isso o escrevi.

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  3. Estou com o Alex, é o meu preferido até ao momento :)

    Adoro o termo "marradinha" :-)

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    1. obrigada :) sim, eu uso muito esse termo, por causa das gatas.

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  4. Respostas
    1. muito obrigada, Arrakis.
      só estou à espera que a editora Planeta Tangerina me contacte ;)
      bjs.

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  5. Muito bonito, Margarida. Gostei imenso. De facto, tenho uma tartaruga há dezoito anos (este mês, sensivelmente por estes dias, segundo a mãe, faz dezoito). É conto inocente e infantil onde muito me revejo, pese embora não seja tão evidente assim. Diz-me muito.

    um beijinho.

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  6. durante uma altura escrevi histórias infantis (eram poemas) e é das coisas que dá mais gozo fazer, mas também das mais difíceis. acho que encontraste o tom certo, e evitaste a maior armadilha, que é infantilizar a linguagem. foi uma excelente primeira experiência. e, como sempre, gosto muito da forma como tu resolves as coisas, com coerência e subtileza.

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    1. sim, infantilizar nunca o faria, preferi escolher palavras mais sábias para a tartaruga e infantis e ingénuas para o gato, mas apenas isso.
      obrigada. :)

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