quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O conto do João Roque

   O tempo – essa palavra proibida

   - Agora, estou feliz. Finalmente…– ele murmurava, fazendo festas à gata.
   Concordei com um gesto de cabeça, sentada ao seu lado. Com um sorriso absorto, ficou calado uns segundos. Depois, continuou: - Muitos planos rebentados, como balões com demasiado ar. Muitas vezes, estava tudo encaminhado, muitas expectativas criadas e, depois, bum! – com um gesto exagerado, os braços fizeram um arco por cima da sua cabeça. A gata assustou-se e saltou para o chão. – E recebes um balde de água fria.
   - Mas tudo o que passaram fortaleceu-vos. Agora, começam uma nova vida. Os dois juntos. Quando vais? – perguntei, embora soubesse a resposta.– Ontem seria tarde de mais…
   - Seria! Agora não há tempo a perder! Temos de compensar. Só de pensar nos anos que passámos separados… Mas o que é que eu podia fazer? Tive de me adaptar. Tive de pensar nele. É isto o amor. Darmo-nos ao outro. Se fiquei feliz com a situação? Não. Mas era a possível. Agora quero viver o resto da minha vida como desejo. Com ele! E tenho consciência de que não caminho para novo – declarou.
   - Ah, mas se pudesses recuar no tempo, não farias da mesma forma? – perguntei.
   – Faria. Se passasse pelo mesmo, não mudaria nada, nada – acentuou, convicto. - Mas agora vejo o tempo que tenho pela frente e é tão pouco… Penso que tenho muito pouco tempo para fazer tudo o que quero com ele, tudo o que sonho. Porque mereço, sabes? Mereço ser feliz!

15 comentários:

  1. merece mesmo. que conto tão bonito. uma belíssima homenagem.

    adoro esta capacidade de ficcionar (ou será ficcionalizar?) a partir do real.

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  2. Lindíssimo Margarida, como sempre. =)

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  3. Muito bom mesmo,

    os meus sinceros parabéns, :)

    Beijinhos grandes

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  4. Um agradecimento muito comovido, Margarida.
    Permite-me aproveitar este teu espaço para ir além da excelência da tua escrita, nunca demais realçada, para reforçar o que já antes afirmei de um raro poder de perceber, no seu todo, as pessoas de quem gostas, para dizer algo mais...
    Toca-me profundamente, e não só a mim, sentir que este nosso amor (meu e do Déjan), é seguido, acarinhado e até estimulado por tanta gente com quem tenho contactado na minha vida, não só aqui na blogo, mas também através das redes sociais e na vida, de uma maneira geral.
    Sinto que as pessoas "vivem" um pouco a nossa odisseia de ultrapassar as dificuldades que se nos deparam e compreendem quão profundo tem que ser este vínculo afectivo que nos une quase há 9 anos.
    Um imenso obrigado, pois, a ti, pela tua amizade aqui demonstrada neste belo conto, mas também a todos e todas que nos têm ajudado ao longo destes anos, pelo carinho com que nos têm rodeado.

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    1. a vossa história serve de inspiração, João. tu e o D. mostram como o amor à distância é possível, apesar das adversidades.
      quanto à minha escrita, só com o tempo e muita, mas muita prática é que se consegue. às vezes, toco lá, outras, não. nem sempre é fácil.
      a amizade é recíproca :)
      bjs.

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  5. Ficou óptimo e pode ser um bom presságio. A história que une o João ao Déjan é uma fonte de inspiração para qualquer um. Manter uma relação à distância não deve ser nada fácil, e sempre com a proximidade possível.
    Creio que todos nós vivemos esse amor, que é deles. Ficamos de sorriso no rosto quando se encontram, quando sentimos a boa disposição do João estando o Déjan a seu lado (e já pudemos, tu, eu, o Miguel, dos que aqui estão, testemunhar isso mesmo ao vivo!).

    um beijinho.

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  6. Perfeito e tão oportuno!
    Desculpe a ousadia mas, para mim, é um belo presente a tão boa notícia.

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    1. eu concordo. nada ousada, Rosa :) ficámos todos felizes por o João nos ter dado a oportunidade de saber a boa notícia. :)

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    2. É verdade! Apesar de não o conhecer pessoalmente, tenho uma grande admiração e um enorme respeito por ele e, sim, merece mesmo ser muito feliz.

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